Chego a casa e não há ninguém que ouça o 'tadaima' que já só suspiro. Faço os trabalhos de casa sem sequer olhar para os cadernos e depois deito-me a lêr. Quando a tarde começa a ser pesada demais não consigo continuar. Fico o resto do tempo sentada no escuro, a tentar perceber em quem é que quero pensar.
Sei que apagei as memórias do jantar, porque é como se eles não estivessem lá de qualquer forma.
Continuo sentada no escuro e já são horas de ir dormir, estou sob a ligeira impressão de que vou vomitar. Depois começo a respirar mal. Ele põe os braços á minha volta e embala-me para a frente e para tráz, mas os braças dele são leves como o ar, e pouco servem de consolo. Tenho dois traços na cara, e os cantos dos olhos a arder. Ele beija-me as façes e susurra-me que estou a fazer uma cena, que está tudo bem. "Eu sei Kris, desculpa."
Depois aparecem as saudades que tenho de ti, e dele, e da minha única, e fica muito pior. Deito-me de lado em cima do edredão, o frio que já faz nesta altura do ano a quiemar-me as pernas, mas não me mexo, abraçada aos joelhos a chorar em silêncio, com ele abraçado a mim. Falei com todos hoje. Mas é como se ninguém me conseguisse tocar, como se fossem todos só sombras, como ele, que passa todos os segundos comigo, mas nunca me vai poder tocar.