segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Forca

Acho que está na altura de parar de dizer o quanto gosto dos que amo. Talvez devesse falar do quanto os odeio.

Verdade. Odeio o João porque ele não me fala todas as semanas e eu sinto-me sozinha no escuro.

Odeio a Ana porque ela mudou-me e á minha vida, porque ela ofusca o meu brilho com o dela.

Odeio a Denise por ela ser mais eficiente que eu.

Odeio a minha irmã por ela não tentar viver.

Odeio o Sérgio por ele tentar não me magoar nunca.

Odeio o André por já não o conhecer.

O Fábio porque ele não se apaixona por nada.

A Inês porque se apaixona por tudo.

A Yuka porque ela é alta linda e inteligente.

O meu irmão porque ele entrou no técnico, e vai fazer uma fortuna da vida dele.

A minha mãe, por ter sempre todas as expectativas viradas para mim, e no entanto não ter o mínimo de fé em mim.

O meu pai, porque tenho medo de ser igualzinha a ele.

Odeio desenhar. Porque os desenhos não são realidade.

Escrever, porque as palavras nunca explicam o que eu sinto ou imagino ao certo.

Falar, porque as palavras são eternas e nunca aquelas que realmente pensas.

Ler (seja o que for), ver ou ouvir, porque não fui eu que fiz o material e prova a merda que sou.

Sonhar, porque só fica connosco um momento.

Rir, porque acaba por ser inútil.

Não saber, porque prova a merda que sou.

Saber, porque tenho que enfrentar o assunto.

Odeio comer. Porque já comi que chegue para quatro vidas.

Não comer, só por que me sinto uma anormal, diferente e defeituosa se não o fizer.

Odeio sentir-me feliz quando sei que aqueles que amo não estão felizes.

Odeio sacrificar a minha vida para que a vida de alguém que amo seja melhor.

No entanto amo os a todos e faço estas coisas todas porque são as coisas que me identificam. Se não fosse esta lista de defeitos na vida, eu não estava por cá.

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