domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ele encontrou-me escondida debaixo da carroça da mula.
Deu-me um olhar preocupado e disse:
- O que se passa?
Eu funguei e respondi:
- Não quero ir para o casarão.
- Porquê? - Exclamou ele confuso.
- Porque a Sara Adão está lá.
Ele sentou-se debaixo da carroça comigo o resto da tarde, encostou-se a mim e segurou-me a mão. Assobiou muitas melodias de que eu já não me lembro.

Há muitas vezes, hoje em dia, que eu preciso de mais um Fred, e mais uma Sofia, mas eles já não aparecem.

Fico acompanhada, nesses momentos em que o ar foge, aterrorizado, dos meus pulmões, apenas por reflexos de vidro sem peso, que me embalam e limpam as lágrimas da minha cara com a parte de trás da minha manga.

Será por que deixei de fugir a meio das coisas para ir chorar, ou porque deixei de chorar á frente das pessoas de todo?

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